
Aos desavisados eu aviso: não será a última barrigada de grandes proporções. Por quê? Ora, porque não basta um incêndio na maior cidade da América Latina. Ao vivo (ou em tempo real – qual a diferença?) algo deve ser dito, o silêncio parece crime no jornalismo. Faz bem para a audiência se tiver acontecido um desastre aéreo. O sociólogo português Nelson Traquina chama atenção para a tensa relação dos jornalistas com o tempo:
“Os jornalistas são pragmáticos; o jornalismo é uma atividade prática, continuamente confrontada com ‘horas de fechamento’ e o imperativo de responder à importância atribuída ao valor do imediatismo. Não há tempo para pensar, porque é preciso agir”. (Teorias do Jornalismo - Volume II - A tribo jornalística: uma comunidade interpretativa transnacional)
Eu aposto que alguém, em alguma redação, queixou-se: “Pena, foi só um incêndio...”. Tragédia, morte, sangue, comoção. Sensacionalismo? Bobagem... O furo deixou de ser o “dar em primeira mão” para ser o “inventar em primeira mão”.
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