quinta-feira, 12 de abril de 2007

Comunicação e Sociabilidade - Parte III

Michael Hanke parte de Georg Simmel e Alfred Schütz para analisar as interações no artigo “A noção de sociabilidade: origens e atualidade”. Trata-se de uma abordagem eminentemente sociológica.

Simmel explicita a interação como processo social básico que constitui a sociedade. No entanto, Michael Hanke lembra que é preciso deixar clara a distinção proposta por Simmel entre sociação e sociabilidade. Enquanto a sociação é constituída pelos impulsos dos indivíduos, seus motivos, interesses e objetivos e pelas formas que esses conteúdos assumem, a sociabilidade não tem conteúdo. Isso porque, segundo o autor, “os conteúdos e as formas não são colados ou conectados para sempre; formas que serviram para satisfazer certas necessidades podem ganhar autonomia” (p.130). Quando ocorre o descolamento entre forma e conteúdo, emerge a sociabilidade, a vitalidade do “estar junto”.

Ao partir para a perspectiva sociofenomenológica de Alfred Schütz, Michael Hanke ressalta que vivemos em uma incessante “conexão de sentidos” na qual a intersubjetividade estabelecida por meio de signos é uma categoria fundamental para a existência humana no mundo.

Por isso, tanto para Simmel quanto para Schütz a figura do estrangeiro ajuda a elucidar questões relativas à interação. “O estrangeiro com seu deslocamento socio-espacial, de certa forma, constitui o contrário de uma sociabilidade concluída, pois ele é definido como outsider.” (p.134). De fato, o estrangeiro não é capaz de estabelecer uma intersubjetividade comum e permanece em constante deslocamento.

Por fim, o artigo aborda a perspectiva macro que, confrontada com as análises micro de Simmel e Schütz, revela alterações importantes. Neste ponto destacam-se as transações globais que modificam as identidades e impactam os processos face a face (micro).

Referência completa:
HANKE, Michael. A noção de sociabilidade: origens e atualidade. In: FRANÇA, Vera; WEBER, Maria Helena; PAIVA, Raquel; SOVIK, Liv. (Org.). Livro do XI Compós. Estudos de Comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2002, p. 127-142.

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